todamaneira




Escrito por Nim às 19h14
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Cura

Ó Espírito, ensina-nos a curar o corpo, revitalizando-o com Tua energia cósmica; a curar a mente com a concentração e alegria; a curar a doença da ignorância da alma com o bálsamo divino da meditação em Ti.

Paramahansa Yogananda, "Sussuros da Eternidade", retirado de http://br.groups.yahoo.com/group/diarioespiritual/



Escrito por Nim às 09h06
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Ônibus

“Sinto muito, doutor, mas esse horário não vai dar”, disse, num misto de vergonha e culpa. “Não vai dar por quê?”, perguntou o homem de terno e gravata, intrigado. “Não vai dar. Pra chegar sete, eu preciso pegar o ônibus das seis, e eu pego o ônibus das sete e meia”, respondeu atropeladamente, já sabendo o que ia acontecer. “Mas a senhora não pode sair mais cedo?”. “Até posso, só que eu tenho que pegar o ônibus das sete e meia”. O homem refletiu. “Olha, dona Adélia, eu até queria ajudar a senhora, mas você também tem que colaborar. Chegar depois das oito não dá!”. Ela não insistiu, resignada que estava ante o que já previa. “É. Então acho que fica pra outra vez. Agradeço mesmo assim”. E levantou. E foi embora. O homem de terno e gravata (que, minutos depois, esquecera o assunto e berrava ao telefone com um cliente devedor) quedou perplexo com a atitude da velha mulher, a quem prometera ajuda num domingo de igreja.

 

Adélia deixou o edifício com lágrimas nos olhos. Não podia evitar. Tantos empregos perdidos! Mas estava fora de cogitação deixar de pegar o ônibus das sete e meia. E o das seis, no final da tarde, para voltar para casa. E esse emprego, agora, que parecia tão perfeito! Era no caminho do ônibus, um só, nem precisava pegar outro, não tinha erro, não tinha como atrasar. No entanto, ele tinha de querer que ela chegasse tão cedo! Que tipo de ser humano sai de casa antes das sete da manhã? Era injusto, muito injusto. “Mas ele é um homem bom”, pensava, em desespero católico.

 

Era quase hora aliás. Cinco e quarenta da tarde. Andou para o ponto. Deu hora, o ônibus chegou, com descargas de fumaça e lotado. Parou um pouco antes do ponto, no fim da fila de coletivos que se apertavam para pegar os passageiros. Adélia subiu com dificuldade, sentindo os ossos fracos e a pele flácida espremidos pelo empurra-empurra de apressados, ansiosos, tristes, cansados, pensativos, destemidos, libidinosos e solitários. Gente da lotação.

 

Perto da catraca, avistou-o. Seu menino, o cobrador. Tão sério, com a expressão anestesiada por um dia inteiro de trabalho. Adélia segurou firme a barra mais próxima, e não arredou pé antes que vagasse algum lugar ali, bem pertinho dele. Josimar. “Que rapagão!”, deslumbrava-se toda. Nessa hora, esquecia os problemas. Deixava de lado a vontade de nunca ter ido atrás de seu filho, de descobrir quem ele era. Sabia que se pudesse voltar atrás, não teria começado a sair mais cedo da casa de dona Eduarda sem permissão, e não teria sido despedida. Lá, ela entrava as nove e saía as sete. Limpava, cozinhava, olhava os meninos. Dona Eduarda via as crianças antes de sair para trabalhar, na hora do almoço, e quanto voltava para jantar e dormir. “É justo então, meu Deus”, pensava ela, “que eu só pudesse ver meu menino uma vez por dia, no ônibus das sete e meia?” Não era. E ela não ia desistir enquanto encontrasse o emprego que lhe servia – um que ficasse próximo a uma das paradas do ônibus, e que não a impedisse de embarcar em seus dois horários sagrados, sete e meia e seis da tarde. “Saindo às dezoito? Isso lá são horas!”, diria dona Eduarda.

 

Doía em seu coração como nada mais na vida, aquilo, de ter deixado seu filho para trás. Agora, não podia perder de estar junto dele, admirá-lo. Todo dia, quando puxava o dinheiro de sua moedeira para pagar a passagem, fazia questão de perguntar “tá certinho?”, para ter o prazer de ouvi-lo responder “tá sim senhora”. “Tão simpático, meu rapaz!”, derretia-se. Hoje, apesar da felicidade em vê-lo, sentia que sua vida estava parada, que aquele vai e vem não ia acabar nunca. Ela às vezes nem tinha para onde ir, mas insistia em pegar o ônibus. Como sempre, reuniu suas moedas, mas antes que pudesse fazer algum comentário, Josimar falou: “a senhora não tem carteira de aposentada?”. Ela tremeu, gélida, flagrante. “Ahn, não, por quê, meu filho?”. (Chamara-o de filho, meu Deus!). “É que eu vejo a senhora passando na catraca todo dia, mas nem precisa, porque na sua idade – não que a senhora pareça muito velha, pelo contrário – mas na sua idade não precisa mais ficar pagando passagem”. “Ah, eu gosto”. O rapaz a olhou incrédulo. (Que coisa besta pra se falar, Jesus!).

 

“Bem, a senhora que sabe”. E devolveu-lhe o troco. Não falou mais nada. Adélia passou, e no seu passar, no rodar da catraca, havia algo de esperança renovada, de vida girando, de novo sonho chegando. Encontrara de novo a alegria. Continuou sorrindo, e nem viu o homem que se levantava para lhe dar lugar, e deixou-se chorar um lágrima por seu filho, seu filhinho, que havia se dirigido a ela, e outra por todas as casas que ainda havia de visitar. Não sabia ainda onde ia trabalhar, mas já sabia quem iria levá-la, todos os dias. Era ali, no ônibus, que seu coração passeava feliz.

Escrito por Nim às 16h10
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O guerreiro em mim

Há, em mim,

Um guerreiro feroz

E outro, tranqüilo.

O primeiro amarga

A vista

E o segundo

Me permite estar

Comigo,

A sós.

A espada que

Mata

Em um,

No outro só

Quer servir.

E se o segundo

Quer

Transcender,

O primeiro,

Possuir.

Escrito por Nim às 20h10
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Onça

A onça devorava a carne destroçada de uma pequena paca, em absoluto deleite. Suas patas traseiras, firmes, apoiavam-se com elegância num toco de árvore, enquanto o resto do seu corpo reclinava-se em direção ao solo, para cheirar, rasgar e deglutir a carne fresca com mais intimidade.

 

Cores esfuziantes compunham o ambiente em que a onça estava. O laranja e preto de sua pele, e o verde da mata. O azul do pouco céu que se entrevia pelas copas das árvores, e o marrom da terra e dos troncos. Para a onça, no entanto, tudo era apenas um grande Nada, e ela, a onça, se confundia com aquele deleite, com a experiência de aromas e texturas que a carne fresca lhe proporcionava.

 

Mas o Nada é esperto, e decidiu abençoar a onça. De repente, ela se deu conta.

 

De quê? Não sabe. Mas num minuto havia uma carne, e havia uma onça. E havia árvores, e copas, e troncos. E cores. E havia ela, a onça. Antes, havia Nada, ou Tudo. Mas num segundo, nada parecia tão óbvio. Comer a carne? Por quê? Ir para a esquerda? Por quê? Por que não à direita? E ela, por quê? As manchas pretas? O pêlo laranja?

 

Tudo estranho, tudo incerto. Tudo... curioso.

 

A onça largou a carne. E num ímpeto de provar algo novo, pensou que poderia experimentar uma daquelas frutas, pequenas, verdes, que pendiam das árvores. Era algo diferente. Deu seu pulo felino, certeiro, e em dois tempos estava num dos mais altos galhos de uma goiabeira. Abocanhou uma goiaba madurinha, e mastigou.

 

Que experiência desagradável! Sentiu-se mal e jurou jamais repetir aquilo de novo. Voltou à carne, então. Hum... estava saborosa, quentinha... fresca! Esse deleite, sim, deveria ser repetido uma, duas, três, infinitas vezes!

 

Dormiu, e quando acordou o estranhamento continuava. A vida já não era natural, como antes. Ela não sabia ao certo o que fazer. Havia possibilidades, e escolhas.

 

Mas, ao menos, ela agora já sabia o que fazer: comer carne e evitar as goiabas.

 

Criou uma grande raiva das goiabas, a onça. Por onde passava, destruía-las. Mas quanto mais goiabas destroçava com sua poderosa pata, mais a onça percebia a existência de dezenas, centenas, milhares de goiabas.

 

Passou então a temer a fruta. Ela deveria ser perigosa – talvez se tratasse de um ser maligno, que planejava sua morte. Começou a freqüentar lugares onde houvesse nenhuma ou poucas goiabas. Assim, foi dando adeus ao rio onde se banhava e bebia água corrente; às clareiras onde o sol entrava livre e o chão era quentinho; aos lugares onde outras onças passeavam e namoravam sossegadas. 

 

Por outro lado, a onça comia cada vez mais carne. E quanto mais medo sentia, quanto mais triste e sozinha ficava, mais carne comia. Dessa forma, começou a engordar tanto, que em poucos meses não se sentia capaz de andar sem dificuldade. Os pequenos animais da floresta, coitados, diminuíam em número e alegria, certos de que inevitavelmente seriam vítimas da onça, e nos poucos cantos por onde o animal se permitia andar, o clima era de medo e desesperança.

 

A onça sofria, e seu sofrimento era o mundo. A água não tinha mais o mesmo gosto, nem o sol lhe trazia contento. Seus caminhos eram duros e frios. Não foi preciso muito tempo para que só restasse à onça um único prazer: mordiscar as carniças que ocasionalmente encontrava – porque caçar passou a ser tarefa impossível. Nem lembrava mais o que era caça, aliás.

Escrito por Nim às 13h23
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Ainda assim, não podia esquecer que, em algum momento, na aurora de sua vida, ela sentira a beleza. Houvera paz, quando ela estava entregue à pura felicidade. Por que não cuidou do que tinha naquela época? Por que não olhou com cuidado o verde das árvores e o marrom da terra? Mas não sabia, àquela época, que as árvores eram verdes e a terra marrom; nem que era onça, e que possuía manchas pretas. Sabia apenas ser prazer.

 

Mas então para onde fora tanto prazer? Seria ela que teria sentido tudo isso? Sabia que algo era possível, mas onde estava?

 

Um dia, enquanto meditava sobre essas questões, a onça orou. Não entendia que assim o fazia, mas rezou a um prazer que ela nem sabia mais se existia – mas que apenas pressentia.

 

E dessa oração, então, surgiu na onça uma enorme vontade de morrer. Talvez assim tudo acabasse. Talvez sem o peso daquele corpo, sem o escuro daquela floresta, ela ficasse novamente em paz. E se deixou tombar. E foi assim, conta a história, que pela primeira vez a onça (ou uma onça) sonhou.

 

Sonhou que corria livre pela floresta, e que uma enorme goiaba a perseguia. Ela queria fugir da fruta, mas ao mesmo tempo sentia a urgência de permanecer na floresta. Ela era seu lar. Deu voltas e mais voltas, tentando se esconder da goiaba para permanecer em sua casa, mas era impossível descansar – a fruta sempre a encontrava. Num certo momento, cansada e sem esperanças, desistiu. Entregou-se à goiaba e a seus terrores.

 

Na entrega, a onça acordou. E desperta, já não era a mesma. Alguma coisa acontecera. O quê?

 

Encorajou-se a descobrir. Saiu de seu canto escuro e seco, e entrou na floresta. Goiabas de todos os tamanhos a espreitavam, silenciosas, maquiavélicas, balançando levemente do topo de suas árvores. A onça sentiu medo, mas continuou. Passo a passo, tomava cuidado para não despertar nenhuma daquelas terríveis frutas, para não sugerir nem um pensamento naquele inominável mal.

 

Um galho partiu-se, no entanto, sob o peso das patas da onça. E o estalo rompeu nos ouvidos da onça como o primeiro de centenas de sons aterrorizantes da floresta, e a onça entendeu que as goiabas haviam sido despertas. Correu, portanto, e feito uma louca. Não teria parado, mas pisou em falso num pequeno buraco e caiu, rolando, rolando, rolando, até a sombra de uma enorme goiabeira, onde dezenas de goiabas verdes e maduras a olhavam de cima e outras tantas, esmagadas, se misturavam com a pele da onça, no chão.

 

A onça sentiu nojo. E dor. A onça urrava. Sabia que vislumbrava a morte. Havia chegado ao fundo do poço. Era inútil resistir. E desmaiou inconsciente.

 

No outro dia, a consciência da onça despertou.

 

Seu corpo ainda melado pelas goiabas que, involuntariamente, esmagara. Um raio de sol delicioso passava por entre as folhas da goiabeira e, delicadamente, banhava seu pêlo.

 

A onça se levantou e, num primeiro momento, estranhou aquelas goiabas ali, tão pacíficas. Não pareciam ameaçadoras. Eram apenas, sem sabor. Não lhe despertavam o apetite.

 

E assim, num clarão, num sobressalto espiritual ou científico (tanto faz), a onça entendeu sua natureza, e, como no fim de um longo inverno, sentiu paz. Olhou para os raios de sol que se infiltravam na copa das árvores, e agradeceu. Correu pela floresta e, a cada animal ou planta, agradeceu.

 

Emocionada, a onça chorou, como jamais uma onça poderia ter chorado. Pela primeira vez em anos, caçou, e em sua caça havia reverência. Em cada mordida da carne fresca, ela era prazer novamente. E sabia disso.

 

A onça, antes tão entregue, depois tão desesperada, agora era pura devoção. Contemplava a eternidade.   



Escrito por Nim às 13h22
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A mente quer adiar

Conta-se que quando Alexandre, o Grande, estava vindo para a Índia, encontrou-se com um grande místico, Diógenes. Diógenes é um dos grandes Sufis. Diógenes costumava andar nu, como os animais. Ele era tão belo na sua nudez... porque é a feiúra que tentamos esconder, não a beleza. (...)

Diógenes vivia nu, mas sua nudez era muito, muito bela - porque era inocente. Você também pode viver nu como uma perversão, e então não será bonito. Então você será um exibicionista - algo ficou errado em seu mundo psicológico. Diógenes vivia nu como os animais. E Alexandre, dizem, ficou com inveja. Ele estava vestido com as roupas mais caras possíveis, e sentiu inveja ao ver Diógenes nu. Tão belo! - invejoso. Ele perguntou: "Como posso ser como você? - tão inocente, tão belo!".

Diógenes respondeu: "Não existe um como para isso". E ele estava deitado na areia, à beira de um rio. Era de manhã e o sol estava nascendo; ele devia estar apreciando a poesia que vem das areias para o corpo nu, as mensagens sutis, o calor morno do sol sobre ele.

Diógenes disse: "Não há ncessidade de perguntar por nenhum como. Esta margem é grande o bastante para nós dois. Jogue fora suas roupas e deite-se aqui comigo".

Não existe um como a se perguntar. Por que perguntar como? O como é um truque da mente para adiar. Se você perguntar como, estará perguntando como deixar para depois, porque estará dizendo que deve haver algo a ser praticado. E a prática leva tempo. E, naturalmente, você não pode praticar agora; o amanhã chega. E, uma vez que o amanhã chegar, você estará acabado.

(Osho, "Antes que você morra", Editora Madras)



Escrito por Nim às 11h19
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Fernando Pessoa nos ensina como é estar no Agora

O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo comigo

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do mundo

Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender...

 

O mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

 

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo, e amo-a por isso,

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,

E a única inocência não pensar...

 

(Alberto Caeiro, “O guardador de rebanhos”, www.secrel.com.br/jpoesia/alberrr.html)



Escrito por Nim às 14h41
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Perfeição

Se construo,

o construído se perde

no tempo.

Só permanece o construtor.

 

Se destruo,

o destruído se vai

e fico sozinho.

Só permanece o destruidor.

 

Se tento capturar

a definitiva forma,

logo ela se revela

vazia.

Mas o contemplador fica.

 

Se tento permanecer,

as rugas surgem,

os sentimentos mudam,

os pensamentos me escapam.

E o testemunho continua.

 

Se sou um imenso vazio,

no entanto,

aí sim tudo se me parece

- ou não.

Entra e sai.

É e some.

Perfeito,

sem palavras,

sem razão.

Escrito por Nim às 16h44
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Entrega

Tento incessantemente

construir um CASTELO,

mas ele se desfaz.

 

Sem horrores, sem avisos,

apenas se desfaz.

 

Penso, repenso,

descubro uma nova visão.

Concluo serem exatos, agora,

o ponto, a estrutura.

Mas eles, pouco a pouco, se vão.

 

Acho um arremate

e, sem rodeios,

a felicidade me abate.

Mas como um novilho

no altar,

também ela é imolada.

 

Desgastado, destruo o que

sobrou

do tão usado papel.

Nele fiz colas, formas,

dobraduras.

Todas em vão.

 

Mas é aí, então,

que desisto,

e nesse vazio

insisto,

e me encontro Contigo

outra vez.

Escrito por Nim às 11h56
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Contemplação

Because the world is round it turns me on

Because the world is round

Because the wind is high it blows my mind

Because the wind is high

 

Love is old, love is new

Love is all, love is you

 

Because the sky is blue it makes me cry

Because the sky is blue

 

(The Beatles, “Because”, álbum Abbey Road)

Escrito por Nim às 11h59
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Aviso

Queridos leitores,

Peço desculpas pelo sumiço de seis dias. Amanhã, viajarei e só retornarei na terça-feira. Por isso, peço que esperem até quarta feira, quando esse blog voltará a ter mais regularidade. Nesse meio tempo, se possível, continuarei publicando algumas mensagens. Um grande abraço!



Escrito por Nim às 14h33
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Amor

Dissolver-me em

Ti.

Nada mais

necessário

se faz.

 

As águas da

dor

passaram,

como turbilhão

passageiro

(assim diz o

Verbo Passar).

 

Que eu me lembre

do

Verbo.

Que eu recorde o

Óbvio.

Que eu escute a

Verdade.

Que eu perdoe os

Erros.

Que eu aceite meus

Atos.

Que eu veja em cada

Ser

Você,

Infinito Amor.



Escrito por Nim às 14h30
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Os quatro mundos

Segundo a Cabala, a Criação se manifesta em quatro densidades diferentes de matéria, da mais sutil à mais densa, gradativamente, em direção descendente, a partir da luz absoluta. Isso significa que, no ato da Criação, a luz emanou da fonte original e, à medida que dela se distanciava, ia se adensando, cada vez mais, até a materialidade perceptível pelos cinco sentidos. Em outras palavras, o universo criado contém quatro graus que se sobrepõem, tendo como medida as noções de espírito e matéria. Esses graus são chamados de "mundos". Entende-se, então, que os mudnos superiores são sutis e espirituais, e os mudnos inferiores, densos e materiais. Entende-se também que os mundos sutis estão mais próximos à fonte, e os mundos densos, mais distanciados.

(Tova Sender, "O que é Cabala Judaica", Editora Nova Era)



Escrito por Nim às 11h57
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A obsessão por "fazer"

Quando a árvore está transbordante de vitalidade, ela desabrocha e floresce. As flores são um fluxo. Somente quando você tiver bastante e não puder contê-las, elas irromperão.

 

A espiritualidade é um florescimento, é o luxo supremo. Se você estiver transbordante de vitalidade, somente então algo como uma flor dourada desabrocha em você. William blake estava certo quando disse: "Energia é deleite." Quanto mais energia você tiver, mais deleite terá.

 

O desespero surge porque a energia vaza e as pessoas se esqueceram de como contê-la. A energia está vazando em mil e um pensamentos, preocupações, desejos, imaginações, sonhos e memórias. E a energia está vazando em coisas desnecessárias que podem ser facilmente evitadas. Quando não há necessidade de falar, as pessoas insistem em falar; quando não há necessidade de fazer coisa alguma, elas não podem se sentar em silêncio, elas precisam "fazer".

 

As pessoas estão obcecadas pelo fazer, como se o fazer fosse algum tipo de tóxico; ele as mantém embriagadas. Elas permanecem ocupadas para não terem tempo de pensar nos problemas reais da vida. Elas se mantêm ocupadas para não darem de cara consigo mesmas. Elas estão amedrontadas, amedrontadas com o abismo que está abrindo a boca por dentro delas. É assim que a energia vaza, e é por isso que você nunca tem muito dela.

 

Você precisa aprender a abandonar o desnecessário. E 90% da vida comum é desnecessária; ela pode ser facilmente abandonada. Seja praticamente telegráfico, mantendo apenas o essencial, e terá tanta energia de sobra que um dia, subitamente, começará a florescer, por nenhuma razão.

 

(Osho, “Mensagem 215 – Energia”, retirado das mensagens diárias enviadas por Suresh – suresh@terra.com.br)



Escrito por Nim às 10h02
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