todamaneira


Deveres como um rio que corre para Deus

Gandhi orientou-se pelos princípios éticos não só do Bhagavadgita, mas também do Sermão da Montanha de Jesus. Ele denunciou os setes pecados sociais modernos e, com isso, apontou para um hinduísmo pós-moderno (paradigma VI). Estes são, de acordo com ele, tais pecados:

1.      Política sem princípios

2.      Negócios sem moral

3.      Riqueza sem trabalho

4.      Educação sem caráter

5.      Ciência sem humanidade

6.      Prazer sem consciência

7.      Religião sem sacrifício

 

E, numa época em que a ele, o grande defensor dos diretos humanos, parecia que mesmo na Declaração Universal dos Direitos do Homem das Nações Unidas de 1948 se falava por demais unilateralmente dos direitos humanos e se falava de menos dos deveres humanos, ele clama à consciência do mundo: “O Ganges dos diretos nasce no Himalaia dos deveres”.

Mas também para o Ganges a meta é o mar, para onde correm todos os rios. A meta de todas as religiões é o único Deus, a quem por diferentes caminhos elas conduzem. É o que muitos hindus aprendem ainda como crianças, com estes versos:

Como muitos rios,

com suas nascentes em lugares diversos,

carregam suas águas para o mesmo mar,

também, ó Senhor,

as várias veredas trilhadas pelos homens

de várias tendências,

por diversas que sejam, ou curvas ou retas,

todas levam a ti.

 

(Hans Küng, "Religiões do mundo - em busca dos pontos comuns", Editora Versus)



Escrito por Nim às 12h34
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Amor, uma experiência pessoal

O problema com a religião muito organizada como caminho para o amor é que ela ordena às pessoas que ajam de uma maneira que só tem sentido quando é escolhida livremente. O amor não pode ser ordenado. Embora seja possível ordenar às pessoas que se comportem como se amasse o seu próximo, nenhuma quantidade de admonições ou ameaças fará com que elas sintam um amor que não sentem realmente. A culpa secreta de muitas pessoas aparentemente piedosas se origina dessa verdade. Em seu íntimo, elas sabem que não sentem o amor que fingem expressar. Tragicamente, a culpa faz com que elas tentem de uma forma cada vez maior. Elas se modelam nos exemplos de Moisés, Jesus, Maomé, Buda, ou algum santo, e tentam ser como seu mentor espiritual. Mas não podem ser seus mentores do amor; podem ser parecidas com eles, o que significa  que estão imitando alguém em vez de serem elas mesmas.

Muitos mudaram da religião ocidental para as religiões orientais. Nesta época de instabilidade, confusão e incerteza, os gurus e outros mestres espirituais têm considerável influência. É possível sentar-se diante de um guru e ter a experiëncia de receber seu amor, sua benção, sua sabedoria. Você pode ingressar no seu ashram, acompanhá-lo até a Índia e voltar, e tomar injeções diárias do seu amor espiritual. Isso não fará de você uma pessoa amorosa, embora a aparência possa ser enganosa. Pode, no entanto, preencher a sua necessidade de dependência e segurança ao ter um guru como se ele ou ela fosse o seu pai ou mãe amorosos, que você sempre quis e nunca teve.

Nenhuma viagem espiritual, por mais elevada ou iluminada que seja, é suficiente para ensinar o amor. Como uma pipa no ar, o espírito pode elevar-se com a orientação do mestre, mas o restante do eu permanece na terra, segurando o fio e observando.

(Bob Hoffman, "O Desvendar do Amor - processo Hoffman da Quadrinidade", Editora Cultrix)



Escrito por Nim às 09h55
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Perdão

Na tribo Babemba, da África do Sul, quando uma pessoa age de maneira injusta ou irresponsável, ela é colocada sozinha no centro da aldeia, mas não é de maneira alguma impedida de fugir.

Todos os habitantes da aldeia param de trabalhar e formam um círculo em volta da pessoa acusada. Em seguida, cada um, independentemente de sua idade, começa a lembrar o acusado de todas as boas ações que ela praticou ao longo da vida.

Tudo o que é lembrado sobre a pessoa em questão é descrito em pormenores. Todos os atributos positivos do acusado, suas boas ações, seus pontos fortes e generosidade são ressaltados em benefício dele. Cada pessoa do círculo faz isso de forma detalhaa.

Todos os fatos da vida dessa pessoa são expostos com o máximo de sinceridade e amor. Ninguém pode exagerar os acontecimentos e todos sabem que não podem inventar histórias. Ninguém mente nem é irônico ao fazer esse relato.

Essa cerimônia prossegue até que todos os habitantes da aldeia tenham relembrado os feitos dessa pessoa como membro respeitado de sua comunidade. Esse procedimento pode prolongar-se por vários dias. No final, a tribo desfaz o círculo e começa uma celebração jubilosa em que a pessoa é recebida de volta à tribo.

(...) Cada pessoa no círculo, bem como a pessoa colocada em seu centro, é lembrada que o perdão nos dá a oportunidade de abandonar o passado e os medos do futuro. A pessoa que está no centro não é considerada uma pessoa má nem é excluída da comunidade. Em vez disso, ela é lembrada do amor que existe em seu interior e é acolhida por todos à sua volta.

(Gerald G. Jampolsky, "Perdão - a cura para todos os males", Editora Cultrix)



Escrito por Nim às 11h33
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Morrer para o falso eu

Estando ausente de ti

que vida poderei ter

senão morte padecer

a maior que jamais vi?

Lástima tenho de mim

pois se assim permanecer

eu morro por não morrer.

 

O peixe que da água sai

de alívio nenhum carece,

pois na morte que padece

a morte por fim lhe vale.

Que morte há que se iguale

a meu viver sem socorro,

pois, se mais vivo, mais morro?

 

Quando penso me alegrar

ao ver-te no Sacramento

acresce-me o sentimento

de não poder te abraçar;

tudo é para mais penar,

por não ver-te no teu ser,

que morro por não morrer.

 

E se me alegra, Senhor

esta esperança de ver-te,

ao ver que posso perder-te

mais aumenta minha dor;

vivendo em grande pavor

nesta espera a padecer

que morro por não morrer.

 

Tira-me, pois, desta morte,

meu Deus, e dá-me tua vida;

Não me mantenhas tolhida

neste laço assim tão forte;

olha que peno por ver-te,

meu mal é todo meu ser,

que morro por não morrer.

 

Chorarei a morte já

lamentarei minha vida

sempre tão entristecida

a meus pecados está.

Ó meu Deus, quando será

que eu diga sem mais sofrer:

vivo já por não morrer?

(São João da Cruz, “Coplas da alma que anseia por ver Deus”, tradução de Dora Ferreira da Silva, in: “Iniciação ao Misticismo Cristão”, J.C. Ismael)



Escrito por Nim às 11h50
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