Criatura
Sagrado coração,
em mim estás eternamente.
Ainda que meu ser pequeno e
ferido
brigue e sofra e tente,
tu nunca deixas de estar em
mim.
Não resolvo nada,
nem desconheço.
Apenas reconheço tua fronte
sempre que uma dor
se vai.
E assim quedo dia a dia,
firme ao teu lado,
até que o teu lado signifique
eu mesmo, e nada mais.
Escrito por Nim às 11h02
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Liberdade
Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem Apenas sei de diversas harmonias possíveis sem juízo final
(Caetano Veloso, "Fora da Ordem", álbum Circuladô)
Escrito por Nim às 11h20
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Solidão e Solitude
A solidão é uma lacuna. Algo está faltando, algo é necessário para preenchê-la e nada jamais pode preenchê-la, porque, em primeiro lugar, ela é um mal entendido. À medida que você envelhece, a lacuna também fica maior. As pessoas têm tanto medo de ficarem consigo mesmas que fazem qualquer tipo de estupidez. Vi pessoas jogando baralho sozinhas, sem parceiros. Foram inventados jogos em que a mesma pessoa joga cartas dos dois lados.
Aqueles que conheceram a solitude dizem algo completamente diferente. Eles dizem que não existe nada mais belo, mais sereno, mais agradável do que estar só.
A pessoa comum insiste em tentar se esquecer de sua solidão, e o meditador começa a ficar mais e mais familiarizado com sua solitude. Ele deixou o mundo, foi para as cavernas, para as montanhas, para a floresta, apenas para ficar só. Ele deseja saber quem ele é. Na multidão é difícil; existem tantas perturbações... E aqueles que conheceram suas solitudes conheceram a maior das bem-aventuranças possíveis aos seres humanos, porque seu verdadeiro ser é bem-aventurado.
Após entrar em sintonia com sua solitude, você pode se relacionar. Então, seu relacionamento trará grandes alegrias a você, porque ele não acontecerá a partir do medo. Ao encontrar sua solitude, você pode criar, pode se envolver em tantas coisas quanto quiser, porque esse envolvimento não será mais fugir de si mesmo. Agora, ele será a sua expressão, será a manifestação de tudo o que é seu potencial.
(OSHO, The Golden Future, # 6)
Escrito por Nim às 10h32
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Mantras e o desenvolvimento espiritual
Vya Estelar - Qual é a melhor maneira de entoá-los [os mantras], mentalmente ou cantando?
Tomaz Lima - O melhor modo de cantar esses mantras, quando se pode repeti-los por longo tempo, é iniciar em voz alta e, no decorrer do cântico, ir baixando a voz, passar para o sussurro e, em seguida, continuar o cântico mentalmente, até que o que é cantado se incorpore ao íntimo de quem canta, e a pessoa cante com sua própria alma. Entretanto, no caso dos mantras que divulgo, seus efeitos tranquilizantes e geradores de paz e alegria podem ser percebidos mesmo quando cantados descuidadamente, como melodias usuais. Na verdade, ao repeti-los pelo prazer que proporcionam como música, a pessoa vai, sem perceber, concentrando-se neles. Isto é extremamente benéfico, porque amplia a capacidade de concentração da pessoa - e ter ou não ter capacidade de concentração é o que, na maior parte dos casos, determina o êxito ou o fracasso em qualquer empreendimento na vida.
Vya Estelar - Uma pessoa alivia o seu carma ao entoar mantras?
Tomaz Lima - O carma é aliviado quando a pessoa cresce em sabedoria e realização divina. Seja porque se ergue acima das contingências em que o carma operaria da maneira mais severa, seja porque o indivíduo ganha a compreensão e a força necessárias para fazer face às vicissitudes cármicas mais drásticas; sem responder com atos e atitudes que gerem, por sua vez, mais carma. Nesse sentido, todos os esforços de melhoramento espiritual, de aumento da compreensão, de desenvolvimento da compaixão, de busca da serenidade, da paz e da alegria espiritual são fatores que propiciam o alívio do carma. Entre esses inúmeros tipos de esforços inclui-se o cantar mantras.
(Tomaz Lima, ou Homem de Bem, entrevistado por Angelo Medina. Site Vya Estelar - http://www1.uol.com.br/vyaestelar/)
Escrito por Nim às 09h55
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No infinito
O homem na estrada descobria
segredos,
mas não sabia contá-los.
Num passo a passo
eterno,
mergulhava num segundo-infinito,
e seguia num final
regresso sempre-nunca feliz.
Escrito por Nim às 09h23
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O aprendizado da renúncia
Cada objeto tem o seu valor peculiar para cada indivíduo; e, à medida que uma pessoa evolui ao longo da vida, o valor das coisas se torna diferente; e, quando uma pessoa se ergue acima das coisas, essa pessoa renuncia a essas coisas na vida. E quando alguém que não se ergueu acima delas olha para a renúncia de outra pessoa, ele chama isso de tolice ou desinteresse.
Não é preciso aprender a renúncia; a própria vida ensina isso. E o pouco que alguém precisa aprender no caminho da renúncia é esta lição: quando, para obter moedas de prata, a pessoa precisa perder as de cobre, ela precisa aprender a perdê-las. É esse o único desinteresse que se precisa aprender: que não se pode ter a ambos, o cobre e a prata.
(Hazrat Inayat Khan, "O Coração do Sufismo", Editora Cultrix)
Escrito por Nim às 09h49
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Portais para a alma
Ao lado dos deuses gregos - multifacetados e cheios de nuanças -, a Renascença adotou também o método grego de aproximação aos deuses, ou seja, sistemas de memorização que a princípio foram desenvolvidos como uma espécie de senha pictórica da meditação. (...) O método consistia em estudar ou meditar sobre uma quantidade de imagnes mágicas, cada uma delas sendo um símbolo, contendo conseqüentemente vários níveis de significação. Um exemplo do sistema de memorização utilizado na Igreja católica até os dias de hoje são as Estações da Via Sacra, que têm por objetivo recriar na mente e no coração do observador toda a história da vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Durante toda a Renascença, os sistemas de memorização tornaram-se sinônimos de magia, onde os talismãs, emblemas, quadros ou amuletos eram utilizados para invocar, no observador, a sensação de uma determinada força operando em vários níveis da vida. O objetivo daquele tipo de meditação era formar como que um patamar para atingir níveis mais elevados de consciência e chegar até o insight para penetrar no mundo divino. As imagens dos deuses gregos presentes nas pinturas da época, como as de Botticelli, além daquelas contidas nas primeiras cartas de Tarô, não são simplesmente cópias de adoração pagã. Eram consideradas como símbolos de antigas e poderosas leis operantes durante toda a criação. A meditação a partir daquelas imagens tinha como objetivo restaurar a memória do mundo divino da alma, elevando a consciência individual e liberando-a das limitações do cotidiano do mundo material, ao mesmo tempo em que colocava o indivíduo em sintonia com as suas verdadeiras origens.
(Juliet Sharman-Burke e Liz Greene, "O Tarô Mitológico", Editora ARX)
Escrito por Nim às 18h58
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