Sobre o desprendimento
Os mestres têm o amor em elevada estima, a exemplo de São Paulo, que diz: "O que quer que eu faça -, se não tenho o amor, nada sou." Mas eu tenho mais apreço pelo desprendimento do que pelo amor. Em primeiro lugar, porque o melhor do amor é que ele me força a amar a Deus, enquanto o desprendimento força Deus a me amar. Ora, é muito melhor eu forçar Deus a vir ao meu enocntro do que eu me forçar a ir ao encontro de Deus. A razão disso está em que Deus pode se juntar muito mais intimamente a mim unindo-se comigo do que eu poderia unir-me a ele. Que o desprendimento força Deus a vir ao meu encontro posso provar desta maneira: cada coisa gosta de estar no seu lugar natural. Ora, o lugar natural de Deus é a unidade e a pureza, e estas decorrem do desprendimento. Por isso, Deus sente a necessidade de entregar-se ao coração desprendido. Por outro lado, enalteço mais o desprendimento que o amor porque o amor me obriga a suportar por Deus todas as coisas, enquanto o desprendimento não me faz ficar suscetível a nada que não seja Deus. Ora, vale muito mais não ser suscetível a nada que não seja Deus do que suportar tudo por amor de Deus. Pois, no sofrimento, o ser humano ainda dá uma certa atenção à criatura da qual lhe vem o sofrimento, enquanto o desprendimento é totalmente isento de toda criatura. Que o desprendimento não é suscetível a nada que não seja Deus posso provar da seguinte maneira: para que algo seja recebido é necessário que seja recebido dentro de algo. Mas o desprendimento fica tão próximo do nada que nenhuma coisa é suficientemente sutil para poder manter-se dentro do desprendimento, a não ser Deus. Só ele é simples e sutil a tal ponto de conseguir ficar dentro do coração desprendido. Por isso, o desprendimento não é suscetível a nada que não seja Deus.
(Mestre Eckart, "Sobre o desprendimento", Editora Martins Fontes)
Escrito por Nim às 16h09
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Ora et labora
O quotidiano não pode ser abandonado pelas pessoas que buscam o espiritual, pelo contrário, deve ser penetrado e transformado pela oração e pela meditação. Por este caminho, o tema beneditino do ora et labora poderia nos ajudar a levarmos uma vida espiritual que não precisa deixar o mundo para chegar a Deus, mas que encontra Deus em todas as coisas, ou, para usar as palavras de São Bento, que organiza de tal maneira a vida humana, na banalidade do quotidiano, "que em tudo Deus seja glorificado" (RB 57,9).
(Anselm Grün e Fidelis Ruppert, "Orar e Trabalhar", Editora Vozes)
Escrito por Nim às 14h23
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O poder do silêncio
Reclamar e reagir são as formas preferidas da mente para fotalecer o ego. Para muitas pessoas, grande parte da atividade mental e emocional consiste em reclamar e reagir contra isso ou aquilo. Procuram fazer com que os outros ou as coisas estejam "errados" e só elas estejam "certas". Estando "certas", elas se sentem superiores e, assim, fortalecem o ego. No entanto, essas pessoas estão apenas fortalecendo a ilusão do ego.
Pare um pouco e pense: você tem esses padrões de comportamento? Consegue reconhecer a voz em sua mente que está sempre reclamando e apontando os outros como culpados? O "eu" autocentrado precisa do conflito para fotalecer sua identidade. Ao lutar contra algo ou alguém, ele demonstra para si mesmo que sito sou "eu" e aquilo não sou "eu".
É comum que países, tribos e religiões procurem fortalecer sua sensação de identidade coletiva colocando-se em oposição aos seus inimigos. Quem seriam os "crentes" se não existissem os que não crêem?
(Eckart Tolle, "O Poder do Silêncio", Editora Sextante)
Escrito por Nim às 16h48
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O carteiro e o poeta
Pulsa em mim a verdadeira poesia
Um credo, um mantra, um signo
Um desenho divino
Que arranja as partes mal-feitas
E as transforma em precioso destino
No instante segundo
De um sorriso menino
Escrito por Nim às 12h04
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